CONSTRUINDO EQUIPES

CONSTRUINDO E DESENVOLVENDO EQUIPES

 ARTIGO DE DORALICIO SIQUEIRA FILHO


Cenário Organizacional

As organizações desenhadas e implantadas com base na visão Newtoniana do universo, estão neste milênio naturalmente desmoronando e, por conseqüência, livrando-nos do determinismo, relações de causa e efeito e de uma visão coisificada do mundo. A física clássica muito contribuiu para vivermos em um cosmos repleto das supremacias das inteligências e tecnicismos, aonde a própria vida tornou-se irrelevante diante do funcionamento da vasta máquina universal.

A organização burocrática organizou responsabilidades em funções, as pessoas em papéis e delimitou fronteiras em todas as partes. A organização da atividade empresarial baseou-se em princípios fragmentários com objetivos de aprofundar a especialização e, creio eu, de principalmente privilegiar a preservação do poder.

Organogramas foram criados para representar as estruturas e as conseqüentes ilhas que foram sendo estabelecidas, mas na essência de toda esta estruturação reside uma visão fragmentada ao considerar o ser humano. Na cadeia de poder, pressupõe-se que os dirigentes pensam  , seu “staff” assessora e seus gerentes supervisionam e avaliam, e os demais  produzem e ou operacionalizam.

É evidente que toda esta segmentação representa um significativo obstáculo à integração e o fluxo de comunicações também é, segmentado e limitado a cadeia de valor correspondente.

 

Aprendizagem

Durante muito tempo, nas organizações de todo o mundo, as pessoas foram treinadas em aprender a não aprender, ou seja, foram ensinadas a serem passivas.

Os tradicionais modelos caracterizaram-se mais como inibidores do que estimuladores da aprendizagem, enquanto a potencialização desta torna-se um fator decisivo para alcançar vantagens competitivas no mundo globalizado. Enquanto esta premissa se firma no contexto das Instituições de vanguarda, cada vez mais são buscadas estratégias e formas diferentes de administrar, potencializar e disseminar a aprendizagem no todo organizacional.

Cada vez mais se configura a convicção de que os modelos organizacionais precisam ser totalmente repensados e revisados para corresponder as exigentes necessidades da nova economia e mercado altamente  competitivo.

 

A Nova Ciência e o Trabalho Coletivo

Se ainda necessitamos nos referenciar nas Ciências para entender e ajudar organizações do Século XXI evoluírem, devemos buscar modelos da Nova Ciência e apoiarmos-nos nos movimentos que são exigências de um mundo que se globaliza e impõem um novo olhar para as organizações. Temos que abandonar a estreiteza de horizontes, radicalizado pelo conformismo cultural e enveredarmos pela redefinição de uma nova organização de trabalho, consonante com a diferenciada sociedade civil que emerge muito consciente da necessária responsabilidade social das Instituições de Trabalho.

Faço esta breve constatação para enfatizar as mudanças inexoráveis nas dimensões humanas, que estão diferenciando-se em acelerado ritmo num mercado globalizado, com seus requisitos implícitos de comunicação intercultural, interpessoal e grupal. Tudo isto traz para a práxis organizacional uma remodelada concepção no processo de trabalho da organização do futuro que se amplia; muito mais redes do que máquinas, muito maior valor ao trabalho coletivo do que ao inócuo e ultrapassado individualismo. A teia de relações, característica marcante na Física Quântica, nos impele a criar sistemas abertos capazes de se auto renovar. Nestes sistemas, a natureza participativa é fundamental e leva inexoravelmente as relações a transformarem-se em tema dominante, no pensamento da gestão em nossos dias.

Desconheço forma mais eficaz de estabelecer e aprimorar relações, fazer fluir as imprescindíveis informações, criar padrões de movimentos, fluxos naturais, direção e processos inovadores do que os Grupos de trabalho, aos quais eu tenho me dedicado com maior afinco e porque não dizer com maior prazer, tentando  entendê-los, para facilitar que alcancem sustentabilidade e atinjam o seu predestinado valor.  

Restringindo-me ao foco Institucional, ou seja, aos grupos que vivem e convivem de maneira formal em Empresas, Escolas, Ongs, e outras estruturas organizacionais, pode-se afirmar com convicção que: “Nem todo grupo é uma equipe, mas toda equipe é um grupo”. Estou considerando como grupo, quando seus componentes tiverem além das necessidades de interação, objetivos comuns identificáveis. Encontramos como premissa que os grupos de trabalho se reúnem para colaborarem  entre si na resolução de problemas.

A prática nos mostra que isto nem sempre acontece, pois registram-se freqüentemente reuniões em que a energia dos participantes é canalizada para competição e divergência e, portanto, em vez de ajuda mútua, predominam as situações conflitivas.

Dentre os fatores que influenciam os grupos, cabe no mínimo destacar: os ambientais, as propriedades intrínsecas do processo grupal e as características pessoais de seus componentes. É evidente que no contexto Institucional, variáveis como poder e liderança ainda são fatores altamente relevantes a influenciar o funcionamento grupal.

 

De Grupo a Equipes

Sujeitos a tantas variáveis e imprevisibilidade de movimentos, estou convicto de que o enfoque de transformar grupos em Equipes acrescenta ganhos relevantes no entendimento e intervenção sobre os fatores dificultadores e facilitadores e, principalmente, para potencializar não somente resultados,mas principalmente desenvolvimento para as partes e para o todo. É evidente que estamos nos referindo a autênticas mudanças e não simplesmente uma troca de rótulos ou incorporação de modismo, pois trabalho em equipe não é uma moda, mas um modelo de gestão. Este necessita ser altamente internalizado, apoiado e praticado pelos gestores, desde o 1º escalão, como requisitos mínimos para alicerçar esta construção. É imprescindível ainda ser considerada uma decisão estratégica, totalmente disseminada na organização e que considere a prevalência do valor do coletivo sobre o individualismo no processo decisório.

Quanto mais abertos, construtivos e cooperativos forem os participantes do grupo, mais compartilharão informações úteis e se aproximarão do funcionamento de uma equipe real.

Previamente considero imprescindível  implementar um plano de construção de equipes.

Transformar grupos em Equipes é uma mudança qualitativa e muito mais que

uma simples mudança de procedimentos,  técnicas ou nomenclatura.

É um processo que alcança o sistema pessoal e interpessoal, percepções, pensamentos, sentimentos e valores dos indivíduos e da cultura Institucional.

        

A metamorfose do “grupo” em “equipe”, envolve profundas alterações na percepção e mudanças típicas necessárias da realidade interna e externa e nas relações entre o todo e as partes.

 

Equipes de Trabalho se fazem, fazendo-se

Destacando algo que caracteriza as equipes de trabalho, é que estas são resultantes de uma complexa interação entre pessoas que coexistem no mesmo lugar e ao mesmo tempo (a maior parte das vezes).

 

Estas pessoas formam uma rede complexa, numa trama vivencial que tem, como em todo processo de interação humana, seus altos e baixos, seus movimentos pendulares, suas atrações e suas rejeições.

Cada pessoa se integra ao “time”, a partir de seus próprios conhecimentos e experiências e necessita articulá-los com os conhecimentos e experiências dos outros.   Integra-se a um modelo organizacional com uma cultura determinada, valores e normas que regem as relações, mas que em muitas oportunidades se contrapõem com os valores individuais.

É por isso que a equipe de trabalho está sempre fazendo-se: é uma das essências de  si  mesmo. É também um dos pontos básicos para realizar um processo de melhoria contínua.

“Um grupo consegue construir-se como equipe quando passa a prestar atenção à sua própria forma de operar e procura resolver os problemas que afetam seu funcionamento. Esse processo de auto-exame e avaliação, é contínuo em ciclos recorrentes de “percepção dos fatos, diagnose, planejamento de ação, prática com  implementação, resolução de problemas e avaliação.”

Visando oferecer uma perspectiva das

 

 

 etapas do trabalho de reformulação ou construção de uma equipe, baseado na metodologia que tenho utilizado destaco a sequência de passos no programa de implantação e desenvolvimento de Equipes, que concentra seu foco na evolução de 07 aspectos  considerados fundamentais no processo evolutivo.

Abertura à verdade, confiança, compromisso, colaboração, comunicação, mudança de valores e resolução de conflitos.

Considero ainda que a aplicação de fórmulas prontas, desconsiderando o contexto e o necessário processo de amadurecimento, precipitam frustrações e reduzem as possibilidades de construir equipes eficazes e que inexistem respostas ou receitas capazes de desenvolver competências para trabalhar em equipe, pois reafirmo que as equipes se fazem, fazendo-se.

 

 

 

 Doralício Siqueira Filho

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BIBLIOGRAFIA

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